segunda-feira, 4 de abril de 2011

Aula 4 - Exercícios de interpretação: a identificação de ambigüidades

Exercícios de vestibulares

(Unicamp 2010)


Na propaganda do dicionário Aurélio, a expressão “bom pra burro” é polissêmica, e remete a uma representação do dicionário.Explique como o uso da expressão “bom pra burro” produz humor nessa propaganda.



A propaganda (causa) humor pois expressa que o dicionário Aurélio é direcionado a pessoas "burras", (bem como indica) que a expressão "bom pra burro" (...) (pode se relacionar a) algo muito bom.

Marlúcia S. Reis

(Unicamp 1992)

Ler adequadamente esta tira significa entender o que está subentendido no enunciado de Stock ("eu também") e perceber que no último quadrinho existe a possibilidade de tal enunciado ser interpretado de duas maneiras diferentes:



a) Quais são as duas maneiras possíveis de interpretar o enunciado de Stock no último quadrinho?

(Uma interpretação possível) é a de que (Stock) também fazia sexo com alguma mulher. E a outra maneira de se interpretar é a de que ele fazia sexo com Bete Speed, noiva de seu amigo Wood.

Brian

b) Qual a palavra da fala de Wood que é fundamental para que a última fala de Stock possa ser interpretada de duas maneiras?

A palavra "minha", porque é um pronome possessivo, que indica "propriedade", (ou seja, a noiva de Wood).

Carolina Barbosa Leite da Cruz

c) Levando-se em conta os padrões morais de nossa sociedade, qual das duas maneiras de entender a última fala de Stock provoca o riso do leitor?

A maneira que mais causa riso no leitor é a de que Stock teria feito sexo com a noiva de Wood, já que os dois personagens da tirinha aparentam ser grandes amigos.

Marlúcia S. Reis

(Unicamp 1992)

Às vezes, quando um texto é ambíguo, é o conhecimento que o leitor tem dos fatos que lhe permite fazer uma interpretação adequada do que lê. Um bom exemplo é o trecho que segue, no qual há duas ambigüidades, uma decorrente da ordem das palavras e a outra, de uma elipse de sujeito.

O presidente americano (...) produziu um espetáculo cinematográfico em novembro passado na Arábia Saudita, onde comeu peru fantasiado de marine no mesmo bandejão em que era servido aos soldados americanos.
(Veja, 09/01/91)

a) Quais as interpretações possíveis das construções ambíguas?

Na frase "onde comeu peru fantasiado de marine", há três interpretações possíveis. (A primeira é a de que) "peru fantasiado de marine" pode ser o nome do prato comido pelo presidente. (A segunda é que) o presidente comeu um peru que estava fantasiado de marine ou então, (uma terceira interpretação é a de que) o presidente comeu um peru, e quem estava fantasiado de marine era o presidente.

(Na frase) "(...) no mesmo bandejão em que era servido aos soldados americanos", não se sabe se o que foi servido aos soldados foi o peru ou o presidente.


Bianca Pereira


b) Reescreva o trecho de modo a impedir interpretações inadequadas.

"(...) onde fantasiado de marine comeu peru, no mesmo bandejão em que a ave era servida aos soldados americanos."

Bianca Pereira

c) Que tipo de informação o leitor leva em conta para interpretar adequadamente esse trecho?

Para uma interpretação adequada o leitor deve considerar o contexto em que o trecho está inserido, levando em conta o fato em si e considerando a impossibilidade de um peru fantasiado de marine, bem como a de um presidente ser servido de alimento a soldados.
Apesar da ambiguidade causada pela falha na transmissão da notícia, trata-se deum fato de cunho militar, tornando descabidas as interpretações (citadas acima).


Gisele Salgado Franco

Exercício de Escrita V

As charadas recorrem constantemente ao uso da ambigüidade em sua estrutura, com a finalidade de provocar a surpresa do interlocutor. A partir da leitura dos exemplos abaixo, redija, você também, uma charada.

Dois chicletes se casaram e tiveram vários chicletinhos. Qual o nome do filme?
A Família Adams

Qual é o sujeito da frase “proibido estacionar”?
Sujeito a guincho.

O que é pequeno como um rato, mas cuida da casa como um leão?
O cadeado.

Qual é o contrário de fumo?
Vortemo.

O que é que o humano faz, vê, mas não quer ter?
O caixão.

Por que o Super Mario foi ao psiquiatra?
Porque estava em uma fase muito difícil.

Somos todos irmãos e moramos na mesma rua, quando um erra a sua casa, todos outros erram a sua. Quem somos?
Os botões da camisa.

Qual é o coletivo de pobre?
Ônibus.

Vanessa Alves

Qual o sujeito da frase "Você vai apanhar?"
Sujeito a se ferrar.

Ariane Malta

quinta-feira, 31 de março de 2011

Aula 2. Exercício de Escrita III - Tirinhas

Exercício de escrita III

Agora que você já sabe um pouco mais sobre os diferentes tipos de linguagem, experimente criar uma tira cômica. O traçado do desenho pode ser bem simples, como observamos em aula nas tirinhas dos Malvados (http://www.malvados.com.br/).



(Lincoln Kyoshi)

A tirinha do Lincoln mostra as vantagens de ser daltônico: o personagem, que não diferencia bem algumas cores, pensa ter montado o cubo mágico com sucesso, uma vez que não consegue visualizar seus erros no manuseio do brinquedo.



(Letícia Paiva T. Machado)

A tirinha da Letícia trata dos diferentes tipos de linguagem, assunto que vimos em sala. Quando o professor diz "Hoje iremos aprender os diferentes tipos de linguagem", a aluna responde que não precisará assistir àquela aula, uma vez que ela já sabe a língua portuguesa e não precisa aprender nenhuma outra linguagem.

O quadrinho trabalha com a ironia em torno dos preconceitos linguísticos e a diferenciação entre língua e linguagem, retomando boa parte das matérias que já vimos ao longo deste ano.




(Vanessa Alves Lopes)

A tirinha da Vanessa mostra um coelho e uma lesma indo ao cinema. Ao reclamar da pipoca doce e comprar uma pipoca com sal, sem querer, o mamífero mata seu amiguinho. Lembram das aulas de biologia? Pois é, lesma e sal não combinam.

Aula 2. Exercícios de vestibulares - Correção III


Sobre a noção de interlocutor

(Universidade Estadual da Paraíba 2011)

- Não deixe sua cadela entrar na minha casa de novo. Ela está cheia de pulgas.
- Diana, não entre nessa casa de novo. Ela está cheia de pulgas.

Em relação à interlocução que se estabelece na piada acima, analise as proposições e coloque V para as verdadeiras e F para as falsas.

( ) O termo “ela” nas duas falas dos interlocutores faz alusão aos mesmos referentes, considerando-se a comicidade na construção de sentido do texto.
( ) O humor da piada se efetiva, em razão da ambigüidade causada pelo pronome “ela”, o que ocasiona o desfecho do diálogo.
( ) A referenciação contida no texto, por meio do termo “ela”, estabelece um exemplo de coesão anafórica.

Resposta: F/V/V

A primeira afirmação não é possível: o termo "ela" faz alusão a referentes distintos (cadela/ casa). É a confusão entre os referentes que causa o humor do texto.

A segunda afirmação está correta: o humor se efetiva em função da ambiguidade do pronome "ela", o que faz com que o dono da cadela Diana pense que a casa de seu interlocutor está cheia de pulgas e por isso não é um ambiente adequado ao seu animal de estimação.

A terceira afirmação também está correta. A coesão anaafórica é aquela que retoma algo dito anteriormente. Assim, o pronome ela pode retomar tanto "cadela" quanto "casa", termos citados anteriormente nas falas dos dois interlocutores.

Aula 2. Exercícios de vestibulares - Correção II


Sobre noção de contexto

(Fuvest 2011) Leia o seguinte texto e responda ao que se pede.

Em boca fechada bem-te-vi não faz ninho

Campos de Melo passou todos os anos de sua vereança sem dar uma palavra. Era o boca-de-siri da câmara municipal de Cuité. Até que, uma tarde, ergueu o busto, como quem ia falar. O presidente da Mesa, mais do que depressa, disse:
— Tem a palavra o nobre vereador.
Então, em meio do grande silêncio, o grande mudo falou.
— Peço licença para fechar a janela, pois estou constipado.

Tendo em vista o contexto, é correto afirmar que, tanto do ponto de vista da estrutura quanto da mensagem, o título do texto constitui um provérbio?

Sim, pois o título tem rima, possui um sentido (...) fácil de decorar e simples, (é) curto e direto, (bem como ocorre com os provérbios). O título do texto expressa um conhecimento (popular) de modo figurado (sobre a situação narrada, metaforizando a ideia de que é melhor manter o silêncio a fim de evitar consequências indesejáveis).

Pout-pourri das respostas do Lincoln Kiyoshi e da Vanessa Alves

Aula 2. Os conceitos de texto - Exercícios de Vestibular - Correção I

Exercícios de vestibulares:

Sobre a noção de linguagens

(Fuvest 2011) Examine esta propaganda de uma empresa de certificação digital (mecanismo de segurança que garante a autenticidade, confidenciabilidade e integridade às informações eletrônicas.



Aponte a relação de sentido entre a mensagem verbal e a imagem.

Na propaganda a palavra "burocracia" remete à imagem do carimbo, considerado ultrapassado, tendo em vista a era digital em que vivemos. A tecla "delete" (presente no anúncio publicitário indica) a substituição do carimbo pelo computador. A relação entre a mensagem verbal e a imagem é de que os tempos (nos quais) utilizava-se o carimbo estão chegando ao fim (em função do uso disseminado) do computador.

Aline Gabriela Silvério

segunda-feira, 14 de março de 2011

Aula 1. Questionamento de preconceitos linguísticos, literários e culturais - Exercício de Escrita II


Exercício de escrita II

O preconceito literário pode levar à discriminação dos inúmeros formatos novos de textos que têm surgido com a internet. Considerado por muitos estudiosos como sub-literatura, o nanoconto vem se disseminando pela rede do Twitter. Dentre os muitos posts, encontramos boas peças literárias, além de um número cada vez maior de adeptos e leitores do gênero. Inspire-se nos textos abaixo para escrever, você também, um nanoconto.

"Finalmente sua noiva chegou pelo sedex. Loira, alta, sainha curta e inflável."

“Um cartaz na parede avisava "isso não é uma festa"! Então a Paixão foi embora e só restaram os três: Ela, Ele e o Amor, que é cego”.

"A tarde estava ensolarada e quente quando Clarice saiu do colégio para buscar o resultado. Positivo. Um misto de felicidade e medo dominou seu corpo. Ruborizou: - Se for menina, poderá brincar com minhas bonecas".

Mayara C. Rosente:

Houve um disparo. Ele saiu correndo, mas já era tarde demais. Ganhou em segundo lugar.

Rafaela Pires:

Lá vem a louca cantarolando com sua voz tão doce como um pássaro bicando um pêssego, abraçada ao ramalhete de risos que enfeita o túmulo de seu amor eterno.

Gisele Salgado Franco:

Vivia ela feliz e sorridente, até que ele infiltrou-se em sua vida tendo como único objetivo tirar-lhe o sossego. Alguns disseram que lhe trouzera juízo. Contra ele, comente os analgésicos ou talvez somente a intervenção cirúrgica. Ó indesejável ciso!

Camila de Moraes Paulino:

Eram só os dois, Coca e Ína. Uma alucinante paixão. Um tragava o outro, a inevitável tentação. Fases de euforia, mas também de empolgação. Um romance tão sério que acabou em desilusão.

Aula 1. Questionamento de preconceitos linguísticos, literários e culturais - Correção III



Preconceito cultural

(Unicamp 2011)

Nesta tirinha da famosa Mafalda do argentino Quino, o humor é construído fundamentalmente por um produtivo jogo de referência.

Explicite como o termo “estrangeiro” é entendido pela personagem Mafalda e pelo personagem Manolito.

Carolina Barbosa Leite da Cruz:

O termo "estrangeiro" para Mafalda é considerado tudo que está fora dos limites de seu país. Já para Manolito o seu país é considerado estrangeiro em relação ao país de seu pai, (que é emigrante, ou seja, que não nasceu na Argentina).

Aula 1. Questionamento de preconceitos linguísticos, literários e culturais - Correção II



Preconceitos literários

(Unicamp 2011)

O poeta Vinicius de Moraes, apesar de modernista, explorou formas clássicas como o soneto abaixo, em versos alexandrinos (12 sílabas) rimados:

Soneto da intimidade

Nas tardes de fazenda há muito azul demais.
Eu saio as vezes, sigo pelo pasto, agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.


Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma amora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.


Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve


Seguida de um olhar não sem malícia e verve
Nós todos, animais, sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma
.


Essa forma clássica tradicionalmente exigiu linguagem e tema elevados. O “Soneto da Intimidade” atende a essa exigência? Justifique.


Aline Gabriela Silvério:


O "Soneto da Intimidade" não atende à exigência (de formas e temas elevados), pois trata de um tema cotidiano, enquanto (o soneto tradicional) é normalmente composto de (assuntos) mais elevados.


Marina Oliveira (complemento da resposta acima):


O tema não é elevado nem (tampouco) a linguagem, que tem muitas marcas de coloquialismo, como (o uso dos termos) "cuspindo", "mijada" e "mijamos".


Aula 1. Questionamento de preconceitos linguísticos, literários e culturais - Correção I


Exercícios de vestibulares

Preconceito lingüístico

(Unicamp 2011)

Na propaganda do dicionário Aurélio, a expressão “bom pra burro” é polissêmica, e remete a uma representação do dicionário.

Qual é essa representação? Ela é adequada? Justifique.

Rafaela Pires:
A propaganda associa o dicionário com a expressão "o pai dos burros". Destina assim o uso do dicionário a somente pessoas "burras", que não dominam a linguagem padrão. Esta associação apresentada é inadequada, pois configura preconceito linguístico.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Aula 0. Exercício de Escrita I - Construção de auto-retrato


Os textos abaixo foram extraídos de perfis do orkut. Escreva, você também, um texto em que se apresente perante os novos gausianos de maneira cativante.

Texto 1: Eu? nasci dia 4 de maio de 1983. roxo! contrariado! roxo não... acho q verde... sei lá. amarrei o cordão umbilical no pescoço e não queria sair não. com uns 3 anos me lembro de me jogar na água q minha tia lavava o quintal e beber o licor de menta q tinha no barzinho de casa. a garrafa ficou vazia e ninguém sabia como aquilo podia ter acontecido. com 4 perdi a avó q queimou minha mão uma vez com o cigarro. de propósito não... sem querer. odeio cigarro! com 5 vi de perto a criatura mais feia até então. era vermelha, chorava e ficava dentro de uma cápsula espacial transparente. vinha ao mundo a pessoa q se tornaria meu maior parceiro. com 6 emendei um controle remoto com fio num carrinho de pilha q eu tinha e FUNCIONOU! desde então eu sabia q queria ser "cientista". com 7 me lembro da cena de um garoto cabeçudo com pouco mais de 1 metro de altura carregando material escolar q pesava mais q ele. meu primeiro ano naquela q se tornaria a minha segunda casa e um dos lugares mais importantes da minha vida. com 8 me apaixonei pela primeira vez. anos mais tarde o papel se inverteria e ela estaria apaixonada por mim. e eu? tô em outra. com 9 meus pais foram chamados na escola pela professora de matemática. "seu filho é muito desatento... blá blá blá"... descobri q sou DDA. com 10 roubei 15 reais do meu pai pra comprar guloseima. tive a chance de falar a verdade. menti e levei a maior surra da vida. com 11 os peitinhos recém chegados das meninas chamavam bem a atenção e os hormônios entravam em erupção. andar de mão dada com uma menina já não era mais motivo de chacota e sim de q vc era "o cara". tirei 1 na prova de matemática e passei dias escondendo do meu pai. com 12 anos eu sabia q futebol era a paixão nacional... mas isso pouco me importava. comecei a juntar amigos q se tornariam irmãos e q estariam por perto sempre. meus pais se separaram e minha vida mudou pela primeira vez. com 13 descobri q tenho rins policísticos. doença hereditária. fui pra Brasília com a escola. não sei pq, mas aquele lugar me impressionou e sempre gosto de voltar pra lá. com 14 fui pros EUA. quis voltar assim q cheguei. com 15 descobri q basquete era o esporte da minha vida e Michael Jordan sim q era "o cara". minha segunda avó morreu e minha vida mudou pela segunda vez. com 16 conheci abruptamente numa festa junina a menina de trancinhas mais linda q eu já tinha visto até então. me apaixonei feito um menino. bom... eu era um menino. descobri despretensiosamente a música e formei uma banda. com 17 roubei um beijo dela q durou 6 anos e me introduziu num mundo inexplorado. com 18 tive a sensação estranha de q algo mudaria. me formei no colégio e a falta daquele cotidiano me doía. com 19 virei gente grande e o meu mundo mudou mais uma vez. tava convicto de q queria engenharia e entrei na FEI. com 20 resolvi tentar de novo e fiquei de frente com a maior dúvida da minha vida. o que ser quando crescer. pensei, pensei e fui fazer rádio e tv. com 21 comecei a estabelecer relações de amizade q durariam pra sempre, aconteça o q acontecer. tive de novo a dúvida... dessa vez era tudo ou nada. me apeguei ainda mais à música. com 22 conheci os sertões e conheci tb sertanejos q me envolveriam num novo projeto de banda. briguei feio com a mulher do meu pai. com 23 realizei o projeto audiovisual mais importante até então e me formei. aquela banda lá dos 16 anos acabava e junto com ela se foi um sonho bom. conheci pessoas q mudaram a minha vida. com 24 fiquei 3 meses ganhando menos do q eu gastava e fui definitivamente contratado. realizei projeto profissional de gente grande ainda como gente pequena na CTPS. com 25 realizei com a minha
banda coisas q jamais imaginei fazer. briguei feio com o marido da minha mãe. com 26 saí com uma mochila nas costas e um guia na mão e conheci melhor o mundo. descobri q quero isso pra minha vida. agora? faço planos e trilho metas!

Texto 2: Se eu te contasse, vc não acreditaria. Se eu explicasse, vc não entenderia. Melhor deixar q os outros me definam. =P

"CALA A BOCA THIIAGO!"
Caco Antibes

"Ele perturba minha paz interior."
Mahatma Ghandi

"Thiago maldito tem 13 letras!"
Zagallo

"É um Karma ruim."
Dalai Lama

"É de péssima qualidade."
Inmetro

"Toco guitarra 100 vezes melhor que ele"
João sem braço

"Ô loco meu! Esse babaca não deixa os outros falarem."
Fausto Silva

"Esse carinha do barulho se mete nas maiores confusões que até Deus duvida!"
Narrador da Sessão da tarde

"Ele é muito lerdo."
Rubens Barrichello

"Você fede!"
Cascão

"Vai pra lá! Vai pra lá! Hí híii!!!"
Silvio Santos

"É patético."
Pateta

"Vc é desprezível"
Patolino

"Que burro! Dá zero p/ ele!"
Chaves

"Se é p/ a felicidade de todos e o bem da nação, diga ao povo que fico. Mas só se o Thiago for embora
D. Pedro I

O objetivo desta atividade era a construção de um "eu" no papel. Ao longo do ano, veremos que nossa escrita é excelente espelho - sendo assim, a elaboração de um auto-retrato implica um trabalho de auto-conhecimento que pode nos ajudar em exercícios posteriores. Quanto mais soubermos sobre nós e sobre nossos textos, mais maduros serão nossos resultados nas redações.

REDAÇÕES DOS ALUNOS:

Tamires Menezes:
Descrever-se nem sempre é a mais fácil das tarefas. De fato, devemos ou deveríamos ser os mais bem preparados para isso (...). Contudo, estamos em constante mudança; crescemos, engordamos, emagrecemos, nossos pensamentos e vontades mudam com frequência. Por isso, seria muito mais simples me apresentar.
Tamires, Dio (Zé - para alguns). Atendo por esses e outros nomes que fui recebendo com o passar do tempo. Dezoito anos, para ser mais exata. (Aquela) que andava de preto mesmo com o mais severo dos verões e (que) tinha cabelos compridos. Sempre no meio de alguma roda de amigos. Filha única, nascida e criada no ABC Paulista.
Ontem mesmo, desejava ser bióloga. Depois quis estudar filosofia, história, até (me) decidir por jornalismo.
Gênio difícil, boa memória, falta de sanidade. Livros, músicas, shows. Amigos, gatos e decisões. Palavras aleatórias? Não necessariamente. Só alguns sinônimos que podem ajudar a me apresentar.


Rafaela Pires:
Quem sou eu? Sou o tudo e o nada ao mesmo tempo. Na verdade, prefiro ser a metamorfose ambulante, a ovelha negra da família, a exagerada deste grande faroeste caboclo que é a vida.
Sou todos os livros que li, as músicas que dancei, os amigos que conquistei (...) talvez mais um rosto em meio à multidão vazia.
Sou aquela que chora quando está feliz, a nervosa (que) não consegue conter o riso, (a que) dança e pula pra disfarçar a tristeza. Gosto de dar sentido aos meus passos formando o meu próprio caminho, sem seguir trilha de ninguém.
Sou mulher, bruxa, fada, cigana, anjo (...), a contradição. Um ser em busca de sua própria definição, com a única certeza de que sou infinitamente minha só minha e não de quem quiser.


Marina Oliveira:
(...) Meu nome? Humm... é de uma escritora, Colassanti e também tema de uma música (...)
Assim como diz (a canção), sou morena (...) e me pintei quando era pequena, peguei um potinho de tinta e adorava jogá-lo nas mãos.
Gosto de desenho, quadrinhos e filmes em animação. (Sobre mim), Calvin falaria que "A vida (...) fica muito mais fácil se mantiver a expectativa das pessoas baixas". Snoopy (me diria) que "há muito ainda há saber e para isso vamos nos conhecer" e Pernalonga (declararia que) "isso é tudo pessoal".


João Ricardo de Luca:
Nascido a 31 de maio de 1992, João Ricardo de Luca já demonstrara desde o início de sua vida que seria difícil de ser controlado. Aos 4 anos achava respostas para todos os problemas matemáticos (a resposta sempre era 10). Aos 6 anos ganhou seu primeiro velotrol. Descia rampas na velocidade máxima. Aos 8 tem seus primeiros contatos com amigos - consegue arrumar confusão com todos. Aos 14 começa seu 8º ano escolar, o qual não é o mais importante, mas o mais memorável. (...) Aos 16 anos descobre seu talento: mestre na arte de não fazer nada. Atualmente, aos 18 anos, pensa melhor na vida e tenta construí-la de uma forma mais interessante do que os fatos apresentados aqui até agora. Por ser alguém que muda muito de opinião, ainda não decidiu a área (em que) quer trabalhar, os (seus) planos futuros, ou se (deveria) escrever esta redação em primeira ou terceira pessoa.


Rafael Kenji Nagai:
No começo, eu não lembro bem, pois estava (...) escuro e não conseguia parar de correr, entre outros como eu, que corria(m) sem saber o porquê.
Eu percebi(a) que vários irmãos meus estavam morrendo e com medo saí correndo, deixando todos para trás, até que, perdido naquela escuridão, encontrei (algo) oval que de certa forma me atraía, pedindo para que eu entrasse. Fui tentando passar aquela camada grossa que a envolvia (...) aí finalmente passei... até hoje acredito que foi ela quem me escolheu.
Naquele momento (em) que entrei, a esfera se fechou e meu medo surgiu: me senti me desfazendo, me modificando e me reconstituindo por meses, até que consegui fazer alguns movimentos. (...)
Em um certo dia, várias coisas ocorreram, aquele lugar começou a mexer muito e (...) vi uma luz... (seria) o fim ou o começo?
Eu nasci.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Despedida de 2010




Começarei 2011 com muitos projetos novos, aulas ainda não planejadas, novos roteiros para estudar o texto e seus constituintes. A cada ano, me proponho novas metas como professora do cursinho - assim como o texto, a profissão de docente nunca está acabada. É preciso sempre procurar novas respostas, novos caminhos. Espero ter instigado um pouco vocês a trilharem esses novos rumos e a olharem os textos sempre com alguma necessária desconfiança.

Bons vestibulares e bom fim de ano,

Carina

Aula 20 - Os temas filosóficos


(Fuvest 2010) - Imagens

Conferir tema em: http://www.fuvest.br/vest2010/provas/fuv2010_2fase_prova1.pdf

Construindo imagens

(Gustavo)

(...) As imagens construídas (atualmente) pela mídia tem mais valor e importância do que a própria relaidade. (Elas nos) impõem desde o nosso modo de vestir, até o que se deve comer. Alguns produtos são nomeados pelo seu logotipo. (...)

Os meios de comunicação em massa nos dizem também do que devemos gostar ou desgostar, colocando em um pedestal (...) algumas pessoas como atores, jogadores de futebol, apresentadores, etc.

(...) Porém, esta mesma mídia que constrói imagens também as destrói com imensa facilidade (...). Algumas vezes chegamos a esquecer a facilidade de imagens construídas sobre algumas pessoas (...) e as tratamos como divindades, vangloriando-as, sem nos lembrarmos que são apenas pessoas, que somos todos iguais. Independentemente de nos exibirmos na televisão ou não, não importa nossa imagem - afinal, na realidade somos todos os mesmos.

Aula 19 - Os temas atuais


(Unicamp 2007) - Agricultura

Conferir o tema em: http://www.comvest.unicamp.br/vest2007/F1/fase1.pdf

Exemplo de redação possível:

Agricultura e Conservação: questões históricas

Na historiografia que coloca em evidência a agricultura brasileira, diversos autores preocuparam-se fundamentalmente com os aspectos econômicos, sociais e políticos da exploração levada a cabo na grande lavoura. Dentro desta perspectiva, encontramos várias considerações acerca dos métodos de cultivo do solo. Os historiadores observam que o amanho da terra era feito de maneira tradicional, rotineira, de coivara, derrubada e queimada da floresta para a abertura de novos campos de cultivo, a aplicação maximizada do sistema indígena de agricultura e que levava a degradação do solo, queda de produtividade e exaustão da terra. Apesar desses historiadores estarem corretos, no final do século XIX e início do XX, diversos agricultores se preocuparam com a exploração da terra feita pelos métodos utilizados na agricultura brasileira, se instruíram e desejaram uma modernização ou modificação da lavoura e exploração agrícola em diversos níveis, demonstrando um conservacionismo incipiente.

Durante o século XIX, principalmente depois das décadas de 1820-30, parte da sociedade brasileira, nas províncias do Rio de Janeiro, fundamentalmente, começaram a notar os efeitos da lavoura de derrubada e queimada das florestas, questionavam-se sobre as nuvens de fumaça produzida por essas queimadas e que tampavam o sol de dia e de noite as estrelas. Além disso, começaram a relacionar as secas periódicas e a mudança do regime de chuvas à esse procedimento de abertura de novos campos ao cultivo do café no Vale do Paraíba. Esses fatos causavam uma baixa produtividade das culturas alimentares o que fazia com que os preços dos alimentos aumentassem na capital do Império, e fosse notado pela maioria dos habitantes em diversas oportunidades.

A partir das décadas de 1850-70 às críticas com relação a degradação do meio ambiente já eram senão vulgarizadas na sociedade, ao menos eram mais comuns. Foram organizados alguns institutos que levavam mais em conta a produção e análise científica do homem e a natureza, bem como os efeitos e possíveis efeitos da exploração do ambiente na sociedade, na economia, no presente e no futuro.

Dito isto, encontramos nas revistas de agricultura, neste caso falando, na Revista Agrícola, órgão de publicidade da Sociedade Paulista de Agricultura (SPA), - sociedade representante dos cafeicultores de São Paulo -, reiteradas manifestações sobre uma possível modificação da agricultura - para os editores e autores que escreviam na revista, a implantação do chamavam de moderna agricultura, agricultura científica, ou agricultura racional e inteligente. Clamavam estas pessoas por processos modernos de lida com o solo, a utilização de instrumentos aratórios, adubação, irrigação, seleção de sementes, ensino agrícola nos níveis iniciais, um sistema de agricultura que fosse mais intensivo, racional, tudo para tornar a lavoura e a produção mais eficiente, mais rendosa e melhor utilizar as terras, evitando o seu rápido desgaste pelos mais variados processos e procedimentos. Problemáticas que eram desprezadas nos séculos anteriores e que começaram a ganhar respaldo na sociedade paulista e carioca desse período.

A criação e preocupação desses agricultores, engenheiros agrônomos, alguns políticos, instituições de pesquisa e ensino, tais como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), e a Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (ESALQ) estão inseridos dentro deste contexto histórico de importante destaque dentro da História do Brasil no passado e no presente, é o início da preocupação que podemos chamar de conservacionista, e também de pesquisas agronômica, tão importante ao desenvolvimento da lavoura brasileira.

Por Amilson Barbosa Henriques
Colunista Brasil Escola

Aula 18 - Os temas polêmicos


(Unifesp 2004) - A sociedade e a homossexualidade nos dias atuais

Conferir o tema em: http://www.unifesp.br/prograd/vestibular/portal/index2.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=61&Itemid=30


Exemplo de texto possível:

Um passo à cidadania homossexual

Por Luiz Tagore
para o Acerto de Contas

Após o fim da Segunda Guerra Mundial tem sido constante no processo de consolidação dos direitos humanos, a concessão de garantias expressas em lei para grupos e subgrupos sociais outrora excluídos dos diplomas legais da maioria dos países, foi assim com os indígenas, judeus, negros, mulheres, portadores de necessidades especiais, crianças e idosos.

Entretanto no Brasil assim como em muitos paises espalhados pelo mundo; pouco ou praticamente nada se fez voltado para a parcela homossexual da população, este segmento continua sendo vitima de discriminação e violência, que por muitas vezes se apresenta institucionalizada, sendo realizada por entes governamentais que em vários casos agem sobre respaldo (ou omissão) de legislações arcaicas; fortemente influenciadas por idéias religiosas.

(...)

A ausência de dignidade no cotidiano da comunidade homossexual compele muitos indivíduos a manifestarem as suas vontades e o seu jeito de ser somente em guetos o que tem como conseqüências a preocupante segregação desse grupo social e o aumento da esteriotipização desses; a soma dos mencionados fatores gera uma assustadora aceitação do preconceito e da discriminação, não é a toa que em momentos importantes da vida social; como na busca de um emprego se omite a sua orientação sexual por temer possíveis sanções negativas que acarretaria se fosse dito a verdade.

(...)

Como bem aduz o intróito, é fundamental que em um Estado Democrático de Direito a livre expressão coletiva ou individual da orientação sexual encontre uma garantia expressa na forma da lei.

É importante salientar que o Direito não possui apenas o dever de tutelar, mas também de provocar o desenvolvimento da dignidade da pessoa humana e promover o livre exercício da cidadania; realmente em nosso sistema jurídico a norma nasce através da valoração social de um fato, contudo o Direito pode trilhar o caminho inverso pode a norma surgir antes mesmo dos valores éticos se fazerem presentes no pensamento social.

(...)

O maior exemplo disto no Ordenamento Pátrio é o caso da Lei de Divórcio (Lei 6.515/77). Até então interromper um casamento era visto com maus olhos pela sociedade, pessoas separadas, sobretudo mulheres eram alvo de certo repúdio social; tinham dificuldades de serem aceitas, somente após a existência desta lei que este pensamento social se modificou; hoje é completamente natural se divorciar quando o relacionamento não mais encontra justificativa para sua existência.

Logo diante deste exemplo podemos inferir que o surgimento agora, ainda que tardiamente, de uma legislação que promova a criminalização da homofobia, poderá garantir que as próximas gerações serão muito mais tolerantes com os homossexuais, travestis, transexuais e lésbicas.

Assim como ocorreu entre outros momentos da história em que foram concedidos novos direitos a grupos até então explicitamente discriminadas, feito este que influenciou fortemente o comportamento da sociedade, onde ocorreram estes fenômenos, que viu aqueles indivíduos, outrora inferiores, alçados a uma posição de igualdade com o todo.

Alem do mais uma lei como esta poderá evitar e certamente diminuirá as estatísticas de crimes cometidos contra homossexuais. Tendo em vista até então a ausência de interesse por parte do pode publico em catalogar e documentar delitos desta natureza.

In: http://acertodecontas.blog.br/artigos/um-passo-cidadania-homossexual/

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Aula 17 - O texto dissertativo


Identificar as falácias presentes no texto a seguir:

Em manifesto na web, jovens paulistas criticam migração
Em manifesto na web, jovens paulistas criticam migração

Eles têm entre 18 e 25 anos, são universitários e se uniram a partir de um manifesto virtual, batizado de "São Paulo para os paulistas". A iniciativa, que começou com a voz solitária de uma jovem indignada diante da proposta de inserção da cultura nordestina na grade curricular de escolas da capital do Estado, foi ganhando adeptos e, em poucos meses, já contava com mais de 600 adesões, demonstrações de apoio expressas em assinaturas numa petição online.
Escolhido como porta-voz do grupo por ter um discurso mais moderado e menos conservador, o estudante Willian Godoy Navarro, 22 anos, conversou com Terra Magazine.
(...)

Terra Magazine- Como surgiu a ideia do manifesto?
Willian Godoy Navarro - A ideia do manifesto surgiu por conta de algumas leis que ainda estão em discussão na Câmara, na Assembleia Legislativa, que defendem a aplicação de uma disciplina nas escolas públicas em relação à cultura nordestina. Isso desencadeou o movimento, porque não existe uma promoção da cultura paulista. Os alunos saem do Ensino Médio e não sabem o que foi a Revolução Constititucionalista de 1932.
Então, a Fabiana (uma das integrantes) criou a petição, jogou na internet e conseguiu a adesão. Foi formado um grupo. Dezenas jovens apoiam e se mobilizam na internet para divulgar. Foram se conhecendo pela internet. A petição está há poucos meses no ar e já tem mais de 600 assinaturas.
O que vocês pretendem exatamente?
A gente quer levantar a discussão. Não apoio a petição. Há uma discussão interna. Acredito que a petição é ousada demais, muito radical. A gente não pode fazer uma petição como se São Paulo fosse um Estado independente.
(...)

Vocês são a favor de iniciativas que estimulam o retorno de migrantes ao local de origem?
Imagina só: um migrante que tinha um trabalho na área agrária, rural. Ele vem para uma cidade, sem qualificação, sem estudo, sem preparo. Ele não tem base para se manter nessa cidade. Se ele sempre trabalhou no meio rural, o que vai fazer na cidade? Ninguém pensou nisso.

Então você apoia essas iniciativas?
Sim, é uma questão humanitária. Para você ter uma ideia, tem uma pesquisa que diz que 84% dos moradores de rua que vivem no Centro de São Paulo são migrantes. É aquela mesma história. Vêm para São Paulo, não são absorvidos, não têm amparo público e acabam vagando pela cidade. O custo de vida em São Paulo é alto. Acredito que seja um dos mais altos do pais. Já é difícil para um paulistano, que constrói uma carreira, comprar, financiar um apartamento ou uma casa, imagina para o migrante que consegue ganhar um salário mínimo por mês e tem uma família para sustentar?

Lendo o manifesto, notei que o movimento tem uma particular preocupação com os nordestinos...
Não existe essa preocupação particular. Mineiros, nordestinos, mato-grossenses, paulistas que vieram do interior para a capital. Todos.
(...)

Nesse primeiro momento, o manifesto virtual serviu para saber se haveria aceitação?
Foi um estudo para a gente sentir como seria a aceitação. Falar da migração sempre é um tabu. Sempre alguém vai se sentir prejudicado. A gente estava discutindo ontem para falar com você hoje. A gente não pode falar da migração. São Paulo foi construído por imigrantes e migrantes. O que tem que acontecer é uma administração, um controle.

Como assim "um controle"?
Não existe controle. Não controle. Controle é uma palavra muito forte. Mas nenhuma política que pudesse organizar a migração. Não só de nordestinos, mas de todos que vêm para São Paulo ou para outra cidade. A gente tem quase um milhão de pessoas na cidade de São Paulo que não conseguem emprego, que moram em favelas ou em áreas com más condições de moradia. A gente não tem estrutura para absorver a migração. Essa mão-de-obra, essa força de trabalho que continua vindo para São Paulo poderia desenvolver outras áreas do país. A gente se preocupa com o futuro da cidade.

Vocês do movimento consideram que a migração provoca sobrecarga no sistema de saúde e impactos nos índices de violência?
Seria hipócrita se dissesse que não. A maior parte das pessoas que utiliza o SUS na cidade de São Paulo são migrantes. Agora, não que esse seria o problema. Em relação à violência, é também bastante contestado. O cara vem, mora na periferia, não tem emprego, não tem nenhuma base. Vai trabalhar no mercado informal ou arranjar outro meio. Mas as vezes há outras situações que fazem com que parta a criminalidade.
(...)

No manifesto, vocês dizem que os "migrantes não construíram São Paulo por serem alocados na construção civil. Seja desmentida tal falácia". Você acha que isso é realmente uma falácia?
Essa parte do manifesto não li, mas o entendimento é o seguinte: quem constrói São Paulo não são os pedreiros. São os empresários, os investimentos aplicados na cidade, feitos por paulistas. Falar que outras pessoas construíram a cidade é absurdo. Eles trabalharam, usaram sua força de trabalho. Não significa que construíram São Paulo. Esse prédio que você trabalha, por exemplo, não foi construído por migrantes...por pedreiros. Foi construído pela empresa que investiu, que financiou o projeto. Entendeu o ponto de vista do manifesto? As pessoas dizem: "Ah, os migrantes construíram São Paulo". Construíram com sua força de trabalho, mas se não fossem os investimentos e o dinheiro que gira na cidade, não teriam construído nada.

(...)

Onde vocês pretendem chegar?
Nossa meta é que isso seja discutido na Assembleia Legislativa, na Câmara Municipal. A gente quer que seja implantada algum tipo de política que possa administrar isso (migração). Que fale: "vocês não têm qualificação, então, vão fazer um curso de qualificação e ser alocados para outras áreas do Estado que oferecem mais oportunidades. As pessoas que vivem em São Paulo e querem, mas não têm condições de voltar para a terra de onde fugiram... A cidade gerar essa oportunidade para elas. O pouco que a gente conquistar para uma cidade como São Paulo vai ser bastante.

Possibilidades de resposta:

"Se ele sempre trabalhou no meio rural, o que vai fazer na cidade?"

conclusão falaciosa: quem é do meio rural nunca estará apto a viver na cidade.


"A gente não pode falar da migração. São Paulo foi construído por imigrantes e migrantes. O que tem que acontecer é uma administração, um controle."

São Paulo foi construída por migrantes, mas é preciso controlar os migrantes: mais que falaciosa, a conclusão aqui é ilógica e contraditória.


"O cara vem, mora na periferia, não tem emprego, não tem nenhuma base. Vai trabalhar no mercado informal ou arranjar outro meio. Mas as vezes há outras situações que fazem com que parta a criminalidade."

Conclusão falaciosa: o migrante não tem cultura ou saberes próprios ("nenhuma base") e nenhuma possibilidade de ascensã social.


"No manifesto, vocês dizem que os "migrantes não construíram São Paulo por serem alocados na construção civil. Seja desmentida tal falácia". Você acha que isso é realmente uma falácia?
Essa parte do manifesto não li, mas o entendimento é o seguinte: quem constrói São Paulo não são os pedreiros. São os empresários, os investimentos aplicados na cidade, feitos por paulistas. Falar que outras pessoas construíram a cidade é absurdo. Eles trabalharam, usaram sua força de trabalho. Não significa que construíram São Paulo. Esse prédio que você trabalha, por exemplo, não foi construído por migrantes...por pedreiros. Foi construído pela empresa que investiu, que financiou o projeto. Entendeu o ponto de vista do manifesto? As pessoas dizem: "Ah, os migrantes construíram São Paulo". Construíram com sua força de trabalho, mas se não fossem os investimentos e o dinheiro que gira na cidade, não teriam construído nada."

conclusão falaciosa: os nordestinos são a mão de obra, os paulistas são o dinheiro. Além disso, o entrevistado acabou de dizer que São Paulo foi construída por migrações e imigrações - nesse contexto, por que seria absurdo afimar que "outras pessoas" construíram a cidade?


"Onde vocês pretendem chegar?
Nossa meta é que isso seja discutido na Assembleia Legislativa, na Câmara Municipal. A gente quer que seja implantada algum tipo de política que possa administrar isso (migração). Que fale: "vocês não têm qualificação, então, vão fazer um curso de qualificação e ser alocados para outras áreas do Estado que oferecem mais oportunidades. As pessoas que vivem em São Paulo e querem, mas não têm condições de voltar para a terra de onde fugiram... A cidade gerar essa oportunidade para elas. O pouco que a gente conquistar para uma cidade como São Paulo vai ser bastante." -

conclusões falaciosas: o migrante nunca é qualificado, têm de ser expulso de São Paulo e é um covarde que "fugiu" de sua terra. Além disso, o migrante se contenta com pouco - qualquer esmola que garanta sua sobrevivência em São Paulo é suficiente.